Pura teoria sem prática
É tudo o que se diz sobre paixões
Toda descrição melodramática
Pode formar teoria socrática
Mas não adestra corações.
Improbabilidades dizem mais
E não requerem um guia teórico
Mero e prolixo e verborrágico eufórico
Amontoado de palavras temporais
Impraticável e defasado amor retórico.
Minha língua pede teor de saliva
Ela não sabe a teoria inútil
Sobe e desce na boca se esquiva
Não é esse amor livresco coisa morta
É a carne em movimento língua viva
Pedindo corpo a corpo em duelo sutil.
Há que se queimar todos escritos
Arder em brasa o assunto sentido na pele
Deixar à chuva todos os relatos aflitos
Dos que nada sabem dos belos conflitos
Da pele pela pele que nos impele.
Permanente e imutável só sabe a prática
E se essa contradição em que caio
– redigindo teoria da própria ótica –
Põe-me agora em posição caótica
Eis que clamo: não me apetece soar prolixo
Que me arrefece discussão hermética
Rogo então que se anule toda essa poesia vã e oca
E se pratique o velho e sábio língua na boca
da máquina esquelética.
Léo.
02 . 08 . 06